Arquivo de novembro \02\UTC 2011

Populismo ao Estilo Pablo Escobar

Dias atrás assisti a um documentário colombiano sobre Pablo Escobar. O documentário mostrou um bairro em Bogotá com o seu próprio nome, criado por ele para a comunidade. Neste bairro ele construiu casas para famílias carentes, distribuiu dinheiro, presentes e até mesmo pagava escolas para alguns filhos de pessoas da comunidade. As pessoas por ele beneficiadas andavam todas com fotos do El Patrón, como também era conhecido, nos bolsos, para prontamente mostrar a quem perguntasse quem ele ou ela admirava.

Em uma das casas, a foto do Patrón estava na parede da sala, no lugar onde muitas outras famílias decentes colocam imagens de Cristo ou Nossa Senhora. Para essas pessoas, Pablo era um Deus. Para elas não interessava se ele havia assassinado tanta gente, se ele havia criado uma das maiores organizações criminosas do mundo. Para essas pessoas, não interessava se o produto que ele vendia (e que pagou suas casas, escolas, comida, etc) ajudava a destruir inúmeras vidas e famílias ao redor do mundo.

Para elas interessava apenas uma coisa: Que ele fez o que ninguém havia feito para a comunidade. O que nenhum governo fez, Pablo Escobar fez.

El Patrón não foi o primeiro a comprar a conivência das pessoas e nem será o último. Vamos olhar para o Brasil, onde escândalos de corrupção não impediram que Lula elegesse quem ele quisesse ou ele mesmo ficasse oito anos no poder. Para essas pessoas, não interessa se nos últimos anos foram desviados mais de 50 bilhões de reais dos cofres públicos.  O engraçado é que esses mesmos bilhões poderiam ajudar as pessoas também, pagando cirurgias ou tratamentos de câncer, moradias e boas escolas.

Para essas pessoas, o que interessa é que o governo coloca o peixe na boca delas em vez de ensinar a pescar. Os bolsa-esmolas anestesiam as pessoas e as tornam dependentes e coniventes com o Estado corrupto. Como mudar isso? De alguma forma, mostrando para o povo que a força do trabalho e da educação são os caminhos para um futuro melhor.

E que, acima de tudo, a honestidade compensa e a corrupção deve ser abominada, seja aquela que desvie canetas em alguma repartição ou bilhões em um ministério.

Portanto, tome cuidado com os lobos em pele de cordeiro que estão no nosso país. Muito cuidado com os Pablos Escobar que sempre surgem com propostas eleitoreiras que, através do populismo, prendem as pessoas ao Estado em vez de ensiná-las o valor do trabalho, da honestidade e da perseverança.

Como diz Benjamim Franklin, em uma de suas citações, “deixe a honestidade ser como a respiração de vossa alma“.

El Patrón morreu, assim como eu espero que a corrupção também encontre seu fim. Algum dia.

 

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